Dicas para Montagem de Computadores

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Índice


Alguns Fatos sobre Memórias DDR

Descobrimos alguns fatos interessantes sobre os pentes de memória DDR 400 que foram instalados nas máquinas do LCG em 2005. Todas essas máquinas estão com placas-mãe Intel D865 PERL, processadores pentium 4 - 2.8C HT (Northwood-130nm-512Kb de cache), mas com configurações de memória bastante diferentes.

O problema é mais sério ainda com a série Prescott (90nm-1MB de cache), que é uma fonte de geração de calor inacreditável (45 a 67 graus na faixa de temperatura ambiente de 28 graus). Além de consumir mais potência possui um desempenho muito similar ao do Northwood (que roda de 5 a 10 graus mais frio). Infelizmente, hoje em dia, a Intel tende a oferecer apenas essa opção, quer gostemos ou não.

A tecnologia HT (Hyper Threading) permite emular dois processadores e é suportada tanto pelo Windows XP como pelo Linux, desde que se use um kernel smp (Symmetric Multi-Processors), neste caso. Essa nova tecnologia realmente vale a pena porque evita que a máquina "pare" quando há várias janelas abertas executando tarefas distintas, como copiando arquivos grandes, tocando mp3, etc..

O utilitário MemTest

Depois de uma série de dissabores causados por pentes de memória aparentemente bons mas que acabavam se mostrando problemáticos, começamos a utilizar um programa bastante interessante chamado MemTest86 que realiza um diagnóstico muito minucioso do desempenho de pentes de memória. Vá no mínimo até o passo 13, o que pode levar várias horas (+- 2h/GB) dependendo da quantidade de memória (o memtest não termina nunca).

Descobrimos então que vários dos pentes que adquirimos efetivamente têm problemas. Para se ter uma idéia, detectamos uma média de um chip problemático a cada quatro.

Os sintomas típicos de problema de memória vão desde a congelamentos, reboots no meio de uma aplicação ou jogo, a erros internos do compilador em Linux, que ocorrem em pontos aleatórios de um programa. A probabilidade de aparecem erros de memória aumenta bastante com a elevação da temperatura de operação do computador.

Alterando o tempo de latência

A BIOS ajusta automaticamente os tempos de latência da memória segundo dados presentes no próprio pente de memória. Para alguns pentes defeituosos foi possível fazer com que eles passassem no teste ajustando os tempos de latência.

A placa Intel possui três latências: 2, 2.5 ou 3. Os dois outros parâmetros podem assumir os valores 2, 3 ou 4 e no modo agressivo valem 2 2.

Note-se que valores inválidos podem fazer com que o computador não parta. Nesse caso, a CMOS deve ser reiniciada. Por sorte, a placa Intel recoloca os valores default quando nota que houve problema.

Dual Channel

Um outro detalhe importante é que placas mais modernas (como a D865 PERL, por exemplo) suportam uma característica conhecida como Dual Channel. Essa característica permite obter desempenho melhor quando os pentes são instalados aos pares (1-3, 2-4). Assim, por exemplo, é mais rápido colocar dois pentes de 256MB do que um de 512MB.

Alguns testes:

Memória Apollo (4 comprados, 1 com defeito)

Timing Default: 2.5 4 4

Taxas de transferência:

Memória PC (4 comprados, 1 com defeito)

Timing Default: 3 3 3

Taxas de transferência:

Memória Elixir (3 comprados, 1 com defeito)

Timing Default: 3 3 3

Taxas de transferência:

Memória Apollo + PC

Timing default: 2.5 3 3

Taxas de transferência:

Memória Kingston KVR400X64C3AK2/1G (chipset Mosel ASSY in USA)

Timing default: 3 3 3

Taxa de transferência:

Memória Kingston KVR400X64C3A/512 (chipset "Kingston" ASSY in China)

Timing default: 3 3 3

Taxa de transferência:

Memória Kingston DDR2 667

Placa: Intel D975XBX2 (Bad Axe)
Timing default: 5 5 5-15
Voltagem: 1.84 V
FSB: 266 MHz
Frequência: 333MHz
Processador: Core 2 Quad 2.4GHz Q6600

Taxa de transferência:

Memória OCZ 2G8002GK DDR2 800 (dual channel kit "Golden")

Placa: Intel D975XBX2 (Bad Axe)
Timing default: 5 5 5-15
Voltagem: 1.84 V (1.8-1.9 +- 5%)
FSB: 266 MHz
Frequência: 400MHz
Processador: Core 2 Quad 2.4GHz Q6600

Taxa de transferência:

Memória Kingston KVR800D2N6/2G DDR2 800

Placa: Intel DG31PR
Timing default: 6 6 6-18
Voltagem: 1.8 V (+/-0.1V)
FSB: 266 MHz
Frequência: 400MHz
Processador: Core 2 Duo 2.2GHz E4500

Taxa de transferência:
Placa: Intel DG45ID
Timing default: 6 6 6-18
Voltagem: 1.8 V (+/-0.1V)
FSB: 266 MHz
Frequência: 400MHz
Processador: Core 2 Quad 2.5GHz Q9300

Taxa de transferência (dual channel):
Placa: Intel DB798XBX2 (Bad Axe)
Timing default: 6 6 6-18 (não suporta 6 6 6, só vai até 6 5 5. Na bios está 6 4 4)
Voltagem: 1.84 V (1.8 V congela o sistema)
FSB: 266 MHz
Frequência: 400MHz
Processador: Core 2 Quad 2.4GHz Q6600

Taxa de transferência (dual channel):

Memória Kingston KVR800D2N5/2G DDR2 800

Placa: Intel DB798XBX2 (Bad Axe)
Timing default: 5 5 5-18
Voltagem: 1.84 V
FSB: 266 MHz
Frequência: 400MHz
Processador: Core 2 Quad 2.4GHz Q6600

Taxa de transferência (dual channel):

Resumo da Estória

Dos testes acima, fica claro que a taxa de transferência aumenta consideravelmente quando se passa de 1 para 2 ou 4 pentes. Por isso, um pente pode funcionar bem sozinho, mas quando tiver de formar um par "dual channel" causar problema. A identificação do pente com problema envolve o teste individual e aos pares. Em alguns casos pode ser necessário revezar os pares para detectar qual pente causa o problema. Os dois pares Apollo e PC não aprovados, quando combinados, passaram no teste, visto que a taxa de transferência caiu abaixo de 2000MB/s.

Embora não exista memória "dual channel", algumas marcas fornecem pares casados, que simplesmente foram testados e aprovados. Em geral, marcas "xing-ling" (Koreanas ou Chinesas) implicam que de cada três ou quatro pares formados, um apresentará problema.

Uma observação importante é que a única marca que funcionou bem quando instalamos 4 pentes de memória foi a Kingston. As memórias genéricas funcionaram apenas com no máximo 2 pentes instalados. Esse problema de se ocupar 4 slots de memória parece ser um problema não apenas das Placas Intel, mas de outras marcas de placa também. Por isso, tome cuidado. Instale apenas um par.

Fabricantes considerados de primeira linha:

Corsair, Kingston, Crucial, Geil, OCZ, Kingmax, Samsung e Mushkin.

Recomendação

É preciso ter muito cuidado com os pentes de memória que se instalam. É altamente recomendável testar a memória com o MemTest antes de instalar o sistema operacional. O teste da BIOS não presta!

Fica então a seu critério arriscar perder todos os seus dados por problema de memória, pagar por um par de marca, ou testar como foi descrito neste texto. Uma boa referência é a Kingston KVR400X64C3AK2/1G (2 pentes de 512MB dual channel).


Refrigeração

Os coolers Intel giram a 2.600 rpms e são razoáveis. Utilizamos, no entanto, coolers AVC Sunflower, que giram a 5.300 rpms, são bem mais barulhentos, mas baixam a temperatura uns 5 graus.

Não esqueça de aplicar uma boa pasta térmica, como a Stars ou Arctic Silver. Remova qualquer etiqueta que tenha sido "esquecida", porventura, sobre a superfície do processador. Limpe-o bem com álcool isopropílico. Coloque uma quantidade de pasta do tamanho de um grão de feijão no centro e pressione o dissipador do cooler contra a pasta fazendo um leve movimento rotativo. Esse método vale para processadores Intel P4 e Athlon64. Outros processadores, como Athlon TB, XP Palomino, Intel Coppermines, etc., requerem aplicação da pasta de maneira diferente.

Processadores Intel Box vêm com coolers que possuem um material cinza pré-aplicado que substitui a pasta térmica, embora o ideal seja a sua completa remoção e substituição por uma boa pasta. No entanto, este material não é de todo ruim, dissipando a menos, apenas, cerca de três graus. Porém, se o cooler for removido mais tarde, por qualquer motivo, a substituição por pasta é mandatória. Terminada a aplicação da pasta, fixe bem o cooler e instale ao menos um ventilador na traseira do gabinete soprando para fora. Se puder instale também um ventilador na frente soprando para dentro.

É muito difícil achar dados sobre temperatura de funcionamento de processadores Intel. Diríamos que a temperatura máxima é de 72 graus, sendo que a partir daí certamente haverá throttling (perda de desempenho). Acima de 135 graus o processador está seriamente comprometido e o computador pára. O ideal é ficar sempre abaixo de 62 graus. Também não aconselhamos a utilização do computador com uma temperatura ambiente acima de 35 graus. A Intel diz que a temperatura máxima dentro do gabinete medida no centro do processador (a 1 cm de altura do cooler) deve ser de 38 graus. Para isso é necessário um bom gabinete de 4 "baias", como os vendidos pela Verycom. Dê preferência a gabinetes com som e USB frontais, porque facilitam bastante o nosso dia a dia.


Som Frontal

USB frontal

Para testar a sua configuração use softwares que esgotem a sua CPU, fazendo com que ela trabalhe a 100%, e meça a temperatura durante o processo. Os programas mais famosos são o cpuburn e o prime95. Para medir a temperatura use o lm_sensors em Linux ou algum programa específico para a sua placa em Windows, como o Asus probe ou o Intel Active Monitor. Uma outra forma de testar é compilando um sistema grande, como o kernel do Linux, algumas vezes. Jogos também costumam esgotar a sua CPU. Tente o Doom 3 ou o Quake.


Consumo de Energia

É importante manter a energia elétrica que alimenta o seu computador controlada. A fonte de tensão chaveada presente nos gabinetes consegue manter a tensão dentro de uma faixa de 5% para cima ou para baixo, a partir do seu valor nominal. Sua função é transformar a corrente alternada da rede elétrica em corrente contínua para alimentar os circuitos eletrônicos.

Existem vários níveis de tensão internamente num computador. Como essas tensões são baixas, as correntes devem ser elevadas, para fornecer a potência necessária aos diversos componentes. A linha de 12V, por exemplo, deve ser capaz de fornecer no mínimo 17A em um Pentium 4. Infelizmente, o valor informado não é a potência real, mas sim a soma dos produtos das correntes e tensões impressas na lateral da fonte nos diversos níveis: 12V, 5V, 3.3V, -12V, -5V, 5Vsb. O fato é que uma fonte genérica não consegue manter todas as correntes máximas simultaneamente por um longo período de tempo. Por isso, o padrão ATX determina que seja fornecida a potência combinada das linhas de 5V e 3.3V. A potência de pico normalmente pode ser mantida apenas por cerca de 60 segundos. Assim, uma fonte genérica de 500W, dificilmente vai fornecer mais de 280W num regime permanente.

Nas nossas residências também não há um aterramento adequado. Isso faz com que não exista uma referência comum para todos os equipamentos, criando diferenças de potencial entre os vários terra e o neutro. Para esse caso, existe um módulo isolador estabilizado da Microsol, que possui um transformador isolador (primário separado do secundário). Isso permite criar uma referência local no circuito secundário do módulo. Os problemas são sua baixa potência (440VA) e a alta temperatura de funcionamento, que faz com que a vida útil do módulo seja muito pequena (da ordem de 2 anos). Ele também consome energia mesmo sem nenhum equipamento conectado. Segundo a Microsol a temperatura de funcionamento do módulo, que pesa 6.7Kg, é de 60 graus e o seu consumo sem carga é de 40 KW/mes (o equivalente a uma lâmpada de 55.55W ligada permanentemente). Esse módulo só deve ser instalado onde NÃO haja aterramento.

Lembre-se que todo equipamento com impedância não puramente resistiva possui um fator de potência menor do que 1. Assim nem toda energia que circula no seu estabilizador é transformada em trabalho útil. Computadores costumam possuir fator de potência estimado em 0.7, e o módulo, segundo dados do fabricante, fator de potência 1. Isto significa que dos 440VA, apenas 440x0.7=308W são realmente aproveitados.

O ideal é medir-se a carga consumida pelo equipamento. Diríamos que um computador "puxa" 1 A e um monitor 0.8 A. Assim, 2 A * 115V = 230W, seriam suficientes. Com um bom amperímetro alicate essa medida pode ser feita facilmente. De qualquer modo, existem medidas feitas utilizando-se amperímetros comuns, mas que nos dão uma boa idéia do consumo.

Estabilizadores só servem para uma coisa: ajustar a tensão de saída na eventualidade de pequenas oscilações, comuns em cidades do interior. Se estas oscilações forem frequentes, então ele deve ser empregado. Compre um de no mínimo 600VA. Já houve dias em que a tensão bateu 140V por cerca de 1h na minha casa.

Normalmente, estabilizadores possuem transformadores com quatro estágios, que adaptam a tensão no intervalo de 97 a 135V para uma saída nominal de 115V. Não ache que se houver um pico muito forte de tensão que ele vai segurar, porque não vai. Para pequenas variações de corrente, causadas por eletro-domésticos conectados ao mesmo circuto, um filtro de linha é o recomendado. No entanto, réguas compradas em camelôs não costumam ter nada dentro além de um T, para permitir a ligação de vários aparelhos.

Um outro tipo de solução é utilizar um "no-break" de boa qualidade, da própria Microsol, da SMS, da TS Shara, ou da APC. Estimamos que no-breaks de 1 ou 1.2 KVA, cujos fatores de potência costumam ser de apenas 0.5, ou seja, 600W reais, consigam alimentar um par de computadores e seus monitores. Esse tipo de equipamento também precisa de terra. A Microsol também produz um módulo para alimentar no-breaks. No-breaks são a melhor solução, porém a mais cara. As baterias (de motocicleta) costumam durar de dois a três anos, após o que devem ser substituídas, se não for mais barato comprar um novo.


Placas mãe

Atualmente existem duas linhas de processadores Intel: socket 775 (Prescott) e socket 478 (Willamette/Northwood/Prescott). Há também a linha mais fraca e barata conhecida como Celeron. O socket 775 suporta memória do tipo DDR2 e atinge clock de até 3.6 GHz. Portanto, a placa mãe deve ser escolhida de acordo com o tipo de processador. Há dois chipsets Intel para o socket 775: o 915P Express (low end, DDR-333/400 ou DDR2-400/533) e o 925X Express (high end, apenas DDR2). Ambos não suportam placas AGP, apenas o novo padrão de placas de vídeo - PCI Express x16. Além disso, fornecem slots PCI tradicionais para compatibilidade com placas antigas e até 4 slots PCI Express 1x.

Já a AMD possui três linhas de processadores: socket 754 (Sempron/Athlon64), socket 939 (NewCastle - Athlon64/ClawHammer - Athlon64 FX) e socket 940 (Athlon64 FX/Opteron). É importante ficar atento para o fato de que o código de um Athlon não está diretamente relacionado com a sua freqüência de clock.

Uma decisão a ser tomada ao se comprar uma placa mãe é o que deve vir onboard e o que deve ser colocado nos slots PCI. Vídeo, rede, som, modem, portas USB e Firewire são alguns exemplos. Se o orçamento é curto o vídeo onboard é a melhor solução, pois é possível comprar placas mãe com chipsets NVidia GeForce 2 ou 4 já integrados. Caso contrário, a decisão mais adequada é optar-se por uma placa sem vídeo e adquirir-se uma placa de vídeo AGP ou PCI Express mais avançada.

Rede onboard é sempre uma boa opção, porque não há vantagem alguma numa placa de rede externa, que só irá ocupar um slot, podendo se soltar eventualmente e travar a máquina. Já o som irá depender da expectativa de uso, e a não ser que se deseje montar uma estação com aplicações sonoras sofisticadas, o som onboard é plenamente satisfatório. O mais comum são chipsets baseados no CMI8338/8738 da C-Media, que oferecem 5 canais, microfone e entrada auxiliar. É possível que só existam 3 pinos, devendo-se, neste caso, chavear por software entre os 5 canais, o microfone e a entrada auxiliar.

As placas mãe modernas costumam vir com várias portas USB 2.0 onboard e deve-se apenas atentar para as portas Firewire, usadas principalmente por equipamentos de vídeo, como câmeras digitais, e iPods. Se for necessário, é melhor que venha onboard, pois placas de expansão são caras e podem não funcionar a contento se possuírem um chipset ruim.

Via de regra, evite sempre chipset VIA (P4V..., A7V,...). Prefira SiS ou Intel (P4S..., A7S..., P4P..., P4C...). Para a arquitetura AMD, placas com chipset NVidia também são bastante comuns (A7N...). Boas marcas de placas mãe são a Abit, Asus e Intel. Uma marca ruim é a PCCHIPS. Um fabricante que alterna bons e maus modelos é o Gigabyte. Para acessórios, em geral, um bom chipset é o NEC.


Flash de BIOS

Este tópico requer experiência por parte do usuário e pode inutilizar a sua placa mãe. CUIDADO!!!

Normalmente, a troca do firmware da BIOS da placa mãe é executada a partir de alguma versão do Windows, clicando-se sobre o arquivo .exe baixado do site do fabricante da placa. A troca do firmware só é necessária quando ela realmente corrigir algum problema do computador, devendo ser evitada ao máximo.

Quando não se tem o windows instalado, normalmente usa-se um disquete com DOS para executar a troca do firmware. Como atualmente quase não existem mais unidades de disquete, o jeito é utilizar um CD-ROM com freedos. O processo se resume a montar a imagem de um disquete bootável com freedos, em algum diretório, copiar a versão adequada da BIOS para este diretório, recriar a imagem e queima-lá num CD-ROM/CD-RW. Depois, é só bootar usando o CD, e executar o arquivo .exe com a nova BIOS.

// baixe o freedos e unzipe-o em algum lugar
wget http://www.fdos.org/bootdisks/autogen/FDOEM.144.gz
gunzip FDOEM.144.gz

// monte a imagem em /mnt/iso, por exemplo
sudo mount -t vfat -o loop FDOEM.144 /mnt/iso
sudo cp "SUA BIOS".EXE /mnt/iso

// desmonte a imagem
sudo umount /mnt/iso

// crie o CD bootável
sudo mkisofs -o bootcd.iso -b FDOEM.144 FDOEM.144
// queime-o (pode-se usar qualquer programa para isso, K3b, cdrecord, Nero, etc..
cdrecord -v bootcd.iso

Todos os passos devem ser executados com extrema cautela, para não se fazer alguma bobagem. Além do método descrito, existe uma outra forma que eu nunca tentei, mas que deve funcionar também. As BIOS modernas costumam permitir que se faça o downgrade de versão, caso o resultado da atualização não tenha sido satisfatório.

O grande problema que pode ocorrer, é que o processo seja interrompido no meio (por exemplo, por queda de luz), deixando a placa mãe num estado inconsistente. Neste caso, provavelmente, ela estará perdida. Por este motivo, aconselha-se que laptops estejam com as respectivas baterias instaladas. O processo de flash não é muito rápido, e envolve um reboot automático do computador. Nunca interrompa o processo, e depois do reboot, espere o tempo que for necessário para a sua conclusão.


Discos

Discos são partes bastantes críticas. Temos usado discos rígidos IDE da marca Seagate ou Samsung. Aconselhamos a instalação de um utilitário para checar a integridade dos discos, assim como sua temperatura. Um bom software é o Smartmontools, que fornece um diagnóstico completo, que inclui o número de horas ligado, a temperatura, o número de setores realocados (indica que o setor não mais pode ser usado, tendo sido remapeado para outro endereço físico pelo próprio firmware do disco), etc.

O smartmontools permite, também, a execução de testes curtos ou longos do disco, que podem ser executados, como root, com o sistema operando normalmente. O teste longo pode levar mais de uma hora e o desempenho da máquina fica bastante comprometido nesse período. O teste curto, no entanto, é muito rápido: smartctl -t short /dev/hdx (IDE) ou smartctl -d ata -t short /dev/sdx (SATA). O resultado fica armazenado no próprio disco, sendo exibido pelo comando: smartctl -a /dev/hdx (IDE) ou smartctl -d ata -a /dev/sdx (SATA), onde x é a letra que identifica a controladora da IDE (a - master IDE 1, b - slave IDE 1, c - master IDE 2, ou d - slave IDE 2).

Para quem não sabe, a Seagate oferece 5 anos de garantia nos seus discos, mesmo que eles tenham sido comprados já há algum tempo e o vendedor tenha informado que a garantia era, por exemplo, de um ano apenas. A garantia é mundial. Basta entrar com o número de série e o modelo neste link. O produto deve ser enviado pelo correio ao representante no Brasil (São Paulo, Belo Horizonte ou Manaus). O número de série e o modelo podem ser obtidos pelo smartmontools.

Para armazenar arquivos grandes como filmes e DVDs, sugerimos a utilização de um disco externo com conversor USB-IDE. O desempenho com USB 2.0 (60MB/s) é próximo ao de um disco interno ATA com Ultra DMA 6 (133MB/s), com a praticidade do transporte.

Discos serial-ATA (150MB/s) e serial-ATA II (300MB/s) são um pouco mais caros, mas o aumento no desempenho justifica o investimento adicional. Além disso, é uma forma de ultrapassar a barreira das 4 IDEs de um PC. As placas Intel D865 Perl possuem 2 entradas serial-ATA, e aceitam também os serial-ATA II, mas com a taxa de transferência do serial-ATA comum (I).


Gravadores

Gravadores de CD/DVD são peças obrigatórias em qualquer sistema moderno. Vários fabricantes como LG e Sony produzem bons equipamentos. Os chamados "combo" combinam as funções de leitores de DVD e gravadores de CD. Sem dúvida alguma, o processo de leitura e gravação de um DVD é mais complicado porque os equipamentos possuem uma proteção imposta pelos produtores de vídeo de Hollywood (MPAA), que os classifica de acordo com uma região do mundo: 1 - USA, 2 - Japão e Europa, 3 - Ásia, 4 - América do Sul e Austrália. Para poder reproduzir um DVD, o aparelho deve estar na mesma região do disco DVD. Isto impede, segundo eles, que os DVDs sejam lançados fora da época prevista nas diversas partes do mundo. Portadores de laptops que viajam muito ...

Aparelhos de computador permitem a troca de regiões por 5 vezes, ficando congelada a quinta escolha. Esse processo de proteção pode ser feito por software (RPC1) ou no firmware do equipamento (RPC2). Atualmente, todos são RPC2. Para fugir a esta imposição pode-se trocar o firmware do aparelho ou utilizar programas que quebrem o código de proteção "on the fly". Note-se que a troca do firmware utiliza código modificado por terceiros e deve-se ler muito bem os efeitos colaterais antes de efetuar-se a troca.

A troca de firmware pode ser necessária também caso o equipamento apresente problema no reconhecimento de certos tipos de mídia. Recentemente, tivemos de fazê-lo no LG GSA-4120B (versão A104 --> A115) para ser capaz de gravar mídias DVD Philips 8x e no Samsung SH-M522C, um combo que não estava lendo mídias DVD mais baratas, como o Dr. Hanks (versão TS01 --> TS04). O melhor gravador de DVD no mercado atualmente (relação custo/benefício) é o LG GSA- 4163B (firmware A104 ou A105).

Os programas comerciais para Windows (PowerDVD, Windows Media Player, WinDVD) obrigarão o casamento das regiões do disco e do aparelho. No entanto, o código de proteção já foi quebrado há algum tempo e em Linux programas como MPlayer, xine e VLC ignoram completamente a região, pois utilizam uma biblioteca (ilegal em certos países) chamada libdvdcss. Por isso, aconselhamos o uso do VLC em Windows, ao invés de tentar trocar o firmware.


Placas de Vídeo

Aconselhamos apenas placas NVidia ou ATI. Placas NVidia dão um bom suporte a Linux e Windows. O suporte Linux da ATI é fraco. Se possível compre uma placa sem cooler (passive cooling), pois eles pifam mais cedo ou mais tarde. Todos os fabricantes de placa vão usar o mesmo processador fabricado pela NVidia ou ATI e são baseadas em projetos bastante similares. O que muda são os módulos de memória. Verifique o fabricante da memória e dê preferência a uma marca boa, como a Samsung, por exemplo. Outro ponto é se a placa tem um barramento interno, entre o processador de vídeo e a memória de vídeo, de 128 bits. Placas de 64 bits são mais baratas, mas a princípio mais lentas. É claro que para se comunicar com o processador do sistema a placa vai usar sempre a largura do barramento AGP, ou seja, 32 bits. Placas com saída digital (DVI) também são aconselháveis, se o LCD possuir entrada digital.

A linha FX (5200 em diante) da NVidia possui vertex e pixel shaders que são empregados nas aplicações mais recentes. Tente comprar placas com saída para TV, pois bastará um conversor S-video - Vídeo Composto (RCA) para assistir seus filmes na TV. Se sua TV não tiver nem S-Vídeo nem Vídeo Composto, então será necessário comprar um modulador RF, que só encontramos até hoje na RadioShack. Certamente em São Paulo será possível comprá-lo também.

Conectar uma televisão a um computador pode dar mais dor de cabeça do que o esperado. Toda aquela estória de fator de potência e harmônicos influenciam a qualidade da imagem. Os harmônicos são basicamente o refugo das fontes chaveadas, que são jogados de volta na rede elétrica. Assim, esse refugo pode afetar outros equipamentos ligados próximos (no mesmo circuito) do computador, podendo ser "ouvido", na forma forma de chiado, em aparelhos de som ou "visto", na forma de chuvisco, na televisão. O simples fato do computador estar ligado pode gerar ruído na televisão estando esta conectada ou não à placa de vídeo. Este é mais um motivo para se comprar uma fonte de boa qualidade.


Placas de Captura

Placas de captura para funcionarem em Linux devem usar a família de chips bttv (Brooktree/Conexant Bt848, Bt848A, Bt849, Bt878, Bt878A e Bt879). Lembre-se que a placa deve suportar o padrão de vídeo brasileiro (PAL-M). Os principais padrões de vídeo são o Americano NTSC, o Europeu Ocidental (PAL) e o Francês Europeu Oriental (SECAM). Além disso, o software usado para assistir os programas da TV deve empregar um bom algoritmo de desentrelaçamento.

A Prolink produz a série de placas de captura Pixelview baseadas neste chipset. Testamos a PV-M4900 FM.RC, uma placa de captura com TV e FM (Conexant Fusion 878A), que já vem com controle remoto. Instalamos em um Fedora 12, que carregou todos os módulos automaticamente. No entanto, foi necessário adicionar ao /etc/modprobe.d o arquivo bttv.conf, porque este modelo não é detectado corretamente pelo driver:

# bttv capture card
# type indica o fabricante/modelo do sintonizador.
# o padrão brasileiro é equivalente ao americano
# (não confundir com o sistema de cor)
# largura de banda de 6mhz, audio na subportadora de 4.5Mhz modulado em FM.
# o tipo 2 não funciona (philips ntsc).
# detected values do not work!!
# PV-M4900 FM.RC - PV-BT878P+ (Rev.4C,8E)
# Funciona com card=37,70,72,139.
# Com o 72 o som desaparece após um "mute" e não volta mais. O 70 não tem som em vídeo composto.
# O 37 e o 139 usam o som do último canal sintonizado no vídeo composto e o controle remoto não funciona.
# Usando o btspy2.00, consegui fazer o som do vídeo composto funcionar com a configuração 70,
# adicionando as opções corretas no audiomux.
# Funciona com tuner=43,59,65,69. O 43 requer a opção tuner addr=0x61.
# O rádio só funciona com o tuner=69 (atualizado).
# vcr_hack melhora o sync em fitas ruins de VCR, que estão abaixo de 25/29.7 fps (produzidas em filmadoras domésticas).
# -----------------------------------------------> Tuner Radio Composite Svideo Mute
# até bttv driver 0.9.18
options bttv card=70 tuner=69 radio=1 audiomux=0x21,0x20,0x23,0x23,0x28 gpiomask=0x3f vcr_hack=1 chroma_agc=1
# bttv driver 0.9.19 em diante
options bttv card=72 tuner=69 radio=1 audiomux=0x21,0x20,0x23,0x23,0x28 gpiomask=0x3f vcr_hack=1 chroma_agc=1
#options tuner addr=0x61

Para o som funcionar, deve-se conectar a saída de áudio da placa de captura a entrada de áudio da placa de som, usando o pequeno cabo fornecido com a placa. Aí, basta controlar o volume no canal Line do alsamixer. Tanto o tvtime como o mplayer ou o xawtv, funcionaram perfeitamente e com uma qualidade de imagem muito boa. O mencoder (parte do mplayer) pode ser usado para gravar ao vivo da TV ou VCR já comprimindo em MPEG-4, usando o libavcodec a 800MB/hora, com uma qualidade muito boa.


Valencia x Real Madri

Toy Story

É possível também acessar o som através do módulo do alsa snd-bt87x, colocando no /etc/modprobe.conf, as linhas abaixo. No entanto, a partir da versão 2.6.13 do kernel até a 2.6.15, este módulo não mais funciona (usei um kernel versão 2.6.12-1.1456_FC4smp para testá-lo). Fui informado por um membro do projeto alsa, que estaria consertado na versão 1.0.11.rc3, estando disponível no kernel 2.6.17. Porém, está funcionando de novo no kernel 2.6.16-1.2069_FC4smp. O som tem um timbre de alta freqüência que não consegui retirar, mas vale a pena tentar.

# Soundcard 2
alias snd-card-2 snd-bt87x
options snd-card-2 index=2
options snd-bt87x index=2 load_all

Listando o conteúdo do arquivo cards, o resultado deve mostrar a sua placa de captura. Caso contrário, não vai funcionar. No meu caso, é a placa número 2:
$ more /proc/asound/cards
0 [ICH5 ]: ICH4 - Intel ICH5
............... Intel ICH5 with AD1985 at 0xfebff800, irq 18
1 [VirMIDI ]: VirMIDI - VirMIDI
.................... Virtual MIDI Card 1
2 [Bt878 ]: Bt87x - Brooktree Bt878A
................ Brooktree Bt878 at 0xf47ff000, irq 16

Para dirigir a sua saída para a placa de som tente usar o arecord ou o sox (não funcionou comigo).

arecord -D hw:2,1 -r 128000 -f S16_LE -t wav | aplay
ou
sox -w -r 441000 -t ossdsp /dev/dsp2 -t ossdsp /dev/dsp

Para o módulo do lirc ser carregado na hora do boot, é necessário fazer algumas pequenas modificações nos scripts de inicialização:

Para o controle remoto, bastou instalar o lirc 0.8.6 fornecido pelo Fedora. Feito isto, deve-se copiar /usr/share/lirc-remotes/pixelview/lircd.conf.playtv_pro para /etc/lircd.conf.gnome. É necessário também o arquivo de configuração dos comandos dos programas xawtv e tvtime, e um bom ponto de partida é o /usr/share/lirc-remotes/pixelview/lircrc.playtv_pro, que deve ser copiado para ~/.lircrc. Por fim, basta invocar irexec&

O controle remoto desta placa está sendo suportado diretamente pelo kernel. Desta forma, não é mais necessário usar nenhum módulo do kernel para o lirc. Neste caso, basta usar no /etc/sysconfig/lirc:

# Options to lircd
LIRCD_OPTIONS="-H dev/input -d /dev/input/lirc"

onde /dev/input/lirc é criado por uma regra udev e aponta para /dev/input/eventX, para algum X. O arquivo gerado deve ser copiado para /etc/udev/rules.d. No entanto, se houver um teclado usb instalado, o script pode detectar o dispositivo errado. Olhe a seção sobre mouses para ver como gerá-lo manualmente neste caso. É necessário também regerar o /etc/lircd.conf.gnome com os novos códigos do controle remoto. Versões mais recentes do lirc aceitam simplesmente:
# Options to lircd
LIRCD_OPTIONS='-H dev/input --device name="bttv IR (card=70)"'

Felizmente, nada disso é mais necessário com kernels recentes e lirc 0.9.0, bastando colocar no /etc/sysconfig/lirc:

LIRC_DRIVER="devinput"
LIRC_DEVICE="'name=bttv IR*'"

e o socket do lirc fica então em /var/run/lirc/lircd ao invés de em /dev/input/lirc.

O rádio só funciona em Linux com uma versão do video4linux posterior a 24/03/2006, disponível no Mercurial Repositories. Instale a versão corrente do mercurial do Fedora e baixe o fonte: hg clone http://linuxtv.org/hg/v4l-dvb. Prepare então o fonte do kernel, para depois compilar e instalar os módulos do video4linux. Uma outra possibilidade é instalar os rpms fornecidos para Fedora no ATrpms. Kernels 2.6.17 já possuem o driver atualizado, dispensando o procedimento de atualização acima.

Uma observação interessante, é que em Windows o rádio funciona (mal), mas a imagem da TV fica com uma faixa verde em baixo, devido ao driver instalado pelo PowerVCR II, da Cyberlink, que vem com a placa, não salvar a opção PAL-M (e sim PAL-B). Em Windows, quando as coisas não funcionam direito com o software fornecido, é um mal sinal.... Para os defensores ardorosos do Windows, fica a lição: o suporte dos fabricantes é virtualmente NULO!

Mas, como eu estou bonzinho hoje, vou dizer o que deve ser feito para consertar: No regedit, procure a chave HKEY_CURRENT_USER\Software\Cyberlink\PowerVCR II.
Altere todas as chaves abaixo, de 0xffffffff, para o valor 0x00000200 (512 em decimal), que significa PAL-M:
VideoFormat 0x00000200
VideoFormatComposite 0x00000200
VideoFormatOther 0x00000200
VideoFormatSVideo 0x00000200
VideoFormatTuner 0x00000200

A conclusão é que essa placa funciona muito melhor em Linux do que em Windows. Na realidade, eu não a compraria se fosse para usar em Windows. Barata, mas fornecida com drivers/softwares muito ruins. Em um sistema operacional limitado, e de difícil configuração, fica muito difícil ela satisfazer alguém. Uma alternativa é esquecer o software fornecido e tentar instalar o DScaler ou os drivers alternativos do BTwincap para Windows.

Para aqueles que tiverem um hardware adequado (muito disco e um processador não muito lento), eu definitivamente recomendo instalar o MythTV, e transformar o seu PC num PVR (Personal Video Recorder). Para Fedora 5, basta usar os rpms do ATrpms, e instalar via yum install mythtv-suite. Mais ou menos 65 MB de pacotes. O MythTV funciona num esquema cliente servidor, e permite que uma única placa de captura possa ser utilizada em vários clientes diferentes para, por exemplo, assistir TV. A única restrição é que só se pode assistir (ou gravar) um único canal por vez. Para assistir mais de um canal simultaneamente, e ter PIP (Picture in Picture), é necessário mais de uma placa de captura. A possibilidade de importar o guia de programação e gravar com um clique apenas é sensacional:


MythFrontEnd.

No Fedora 6 tive um problema chato. Como tenho uma placa de captura mais uma webcam conectadas, cada vez que reiniciava o computador o número do dispositivo de vídeo era atribuído de maneira aleatória entre ambos: ora /dev/video0, ora /dev/video1. Descobri então que esse problema não tem nem nunca terá solução. A saída é criar dois link simbólicos /dev/webcam e /dev/tvtuner que serão iniciados corretamente por uma nova regra udev, bastando criar um arquivo /etc/udev/rules.d/83-video.rules. Feito isso, é só usar esses links nos programas que acessam a câmera ou a placa de captura.

Para identificar unicamente os dispositivos consultei, /sys/class/video4linux/video0/device, e usei o conteúdo dos arquivos vendor e device para o tuner. Para a webcam, consultei /sys/class/video4linux/video1/device e usei o conteúdo do arquivo name.

# Persistent symlinks for webcam and tuner
KERNEL=="video*", SYSFS{name}=="GSPCA USB Camera", \
SYMLINK+="webcam"
KERNEL=="video*", SYSFS{device}=="0x036e", SYSFS{vendor}=="0x109e", \
SYMLINK+="tvtuner"


Placas de Captura para TV Digital Brasileira

O novo padrão de TV brasileira é o padrão digital SBTVD e o sistema adotado é o ISDB-TB (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial). O hardware segue o padrão japonês ISDB-T e o software, baseado no formato MPEG-4, usa compressão HE-AAC v2 para áudio e H264 para vídeo. O container é o MPEG-TS, com resolução de 1080i, ou seja, full HD entrelaçado. O fim da transmissão analógica no Brasil está previsto para 29 de junho de 2016.

A transmissão pública é feita em UHF, que por utilizar portadoras de alta frequência, é extremamente direcional, e possui um alcance curto, causando sérios problemas de recepção, em regiões cercadas por morros. Por outro lado, uma antena UHF é muito barata, e a instalação, incluindo um bom amplificador de frequências, não passa dos 300 reais. O modelo de antena utilizado deve ser TODA BANDA, adequada para recepção dos canais de 14 a 69. No entanto, a utilização de antenas internas está fadada ao fracasso na maioria dos casos. É importante frisar que é necessário a utilização de um conversor digital para as televisões antigas do tipo CRT.

Mas vamos ao que interessa, que é utilizar uma placa de captura que funcione no linux. Desta vez, optei por um modelo externo USB da PixelView PlayTV USB SBTVD. Há uma longa discussão a respeito deste dispositivo e pode ser necessário instalar (copiar) o firmware do dispositivo em /lib/firmware.

Na prática, ele funciona muito bem com o VLC (1.1.13/2.0.1) ou o Kaffeine (1.2.2 com xine-lib 1.1.20.1). Infelizmente, o Kaffeine engasga, se o desentrelaçamento for ativado (CTRL-i).

Como o software do padrão brasileiro é diferente dos demais padrões, como o ATSC americano, e o DVB-T europeu, é necessário que haja um esforço da comunidade brasileira de software aberto para suportá-lo em outros projetos, como o mplayer, gstreamer e o MythTV (todos apresentam problema na identificação do sinal de áudio). O mplayer evoluiu um pouco e pode ser usado através deste script, embora o resultado ainda não possa ser considerado muito bom.

Para usar o vlc, no Rio de Janeiro, basta chamar: vlc channels.conf, onde o arquivo de canais pode ser gerado, após instalar o dvb-apps ou o dvb-utils, da seguinte forma:

scandvb ch_freq.conf > channels.conf ou
dvbscan ch_freq.conf > channels.conf

respectivamente. Para o Kaffeine, basta adicionar o conteúdo do ch_freq.conf ao arquivo ~/.kde/share/apps/kaffeine/scanfile.dvb, e depois executar uma varredura de canais. Uma outra possibilidade, é copiar o arquivo channels.conf para o diretório ~/.xine e utilizar o xine-ui. O arquivo de configuração para as teclas do controle remoto está aqui.


VLC.

Kaffeine.


Câmeras Web

Câmeras baratas podem ser facilmente adicionadas ao seu computador pessoal. Em linux, o driver gspcav1 suporta centenas de tipos de câmeras diferentes. Basta compilar, instalar ou baixar do Atrpms para RedHat.

Nós testamos a câmera Creative Live, que utiliza portas USB 1.1, e por isso oferece um baixo número de quadros por segundo. A qualidade da imagem é relativamente boa, mas obviamente a atualização da imagem fica prejudicada devido a uma taxa máxima de 15 FPS (frames per seconds), na resolução de 640x480.


Monitoração remota do LCG.

Para acessar a sua nova câmera, podem ser usados o mplayer, o camstream, ou o spcagui. O uso do motion, um detector de movimento, que pode ser acoplado ao Apache, permite o uso da câmera para a monitoração remota de ambientes, via web. Baseado na detecção de movimentos ou batendo fotos em intervalos fixos de tempo, ele abre uma gama de soluções baratas na área de segurança.

Na prática, no entanto, o interesse maior deve ser em video-conferências. Em linux, o GnomeMeeting, cujo novo nome é Ekiga, utiliza os protocolos H.323 (Microsoft NetMeeting, AOL Instant Messenger) ou SIP para transmitir áudio e vídeo. Serve também para Voip (Voice Over Internet), que é a maneira de fazer ligações telefônicas usando a Internet como meio de transmissão. Há a possibilidade até da implantação de PABX IPs, como o Asterisk, que substituem completamente as mesas de PABX convencinais.

Para quem não é viciado em interfaces gráficas, recomendamos o ohphone para fazer as ligações. Por outro lado, se aparência é tudo para você, tente o X-Lite. Para usar o voip do NCE com o Ekiga, escolha a aba "Accounts" e crie uma nova entrada com protocolo H323:


Voip do NCE.

Configuração do Wengophone.

X-Lite com FWD.

linphone com FWD.

Com o ohphone, basta usar um script bash. É claro que é necessário abrir uma conta (aba serviços) para ter acesso ao serviço. Com o protocolo SIP, ainda não descobri como usar. A documentação do NCE não está atualizada.

Um dos serviços de telefone sobre internet mais famosos é o Skype, que emprega um protocolo peer to peer próprio, e só recentemente começou a transmitir vídeo. Tenha em mente que ele usa a banda dos usuários que estiverem com o Skype "rodando" para transmitir parte do tráfego de comunicação, da mesma maneira como o bittorrent faz. Já o wengophone é um serviço similar de voip, vídeo, e mensagens instantâneas, mas baseado em software aberto. O Linphone é um web fone aberto que suporta áudio e vídeo (experimental). Para usá-lo, pode-se assinar um serviço (gratuito) como o FWD. Pode ser necessário o uso de Proxy ou STUN em certos tipos de modens ADSL para todos os tipos de softphone.

Uma opção caseira, desenvolvida no Land, é o FreeMeeting, que oferece áudio, vídeo e whiteboard. Note-se que pode ser necessário abrir algumas portas para usar esses serviços. Para usar o protocolo MSN da Microsoft, pode-se tentar o aMSN, embora não seja capaz de transmitir áudio ainda, ou o Mercury.

A minha avaliação final sobre esses softwares é a seguinte:


Fontes

Alguns modelos de fontes fazem a correção do fator de potência (PFC). Um PFC ativo faz com que o fator de potência fique acima de 0.95, enquanto um passivo fica entre 0.60 e 0.80. Nenhum PFC joga o fator de potência para abaixo de 0.6. Os fios das fontes ATX possuem cores de acordo com a sua voltagem: fios vermelhos são de 5V, usados pela placa mãe, placas PCI, portas USB e eletrônica dos discos. Fios brancos são de -5V, usados por circuitos lógicos e raramente necessários em computadores modernos. Fios amarelos são de 12V, usados pelos motores dos discos e CDs, portas seriais RS232 e ventiladores. Fios laranja são de 3.3V para os cartões (32 bits) de Laptop, memórias e processador. Fios azuis são de -12V, usados pelos ventiladores e portas seriais RS232. Fios pretos são os terra (0V), os púrpuras são de 5Vsb para standby mode e os cinza fornecem sinal de Power OK(ON) para desligar o computador no caso de voltagens alteradas (5V). Algumas fontes consideradas de primeira linha: Antec, Enermax, Seasonic, Thermaltake, Topower, Vantec, Zalman.

Não há vantagem alguma em se usar uma fonte com mais potência do que aquela requerida pelo sistema (além de produzir mais calor). Assim, para uma configuração com dois HDs, 1 MB de RAM, 3 ventiladores e 1 gravador de CD/DVD, as seguintes potências (reais) de fonte são suficientes:

Fontes genéricas são como memórias xing-ling, e por isso são mais baratas: falta controle de qualidade. Assim, podem funcionar bem por vários anos ou causar problema de travamento ou simplesmente impedir o computador de ligar em pouco tempo de uso. No pior cenário, podem acarretar a queima de algum componente, principalmente módulos de memória. A única forma de se testar uma fonte (fora do laboratório) é substituindo-a por outra, sabidamente boa. O principal problema apresentado, em geral, após algum tempo, é o travamento do ventilador (ou geração de barulho) por causa da poeira acumulada nos rolamentos. A substituição do ventilador é relativamente simples, bastando substituí-lo por outro de 8cm, emendando os fios ou simplesmente ligando diretamente na placa mãe. Tenha sempre o hábito de testar o ventilador da fonte, periodicamente, colocando a mão sobre ele para verificar o fluxo de ar. Já perdi a conta de quantas fontes genéricas e/ou seus ventiladores trocamos até hoje ...

Neste Natal, resolvi experimentar uma fonte de primeira linha: a Thermaltake W0069 430W com PFC ativo. Não é uma Antec, a fonte dos meus sonhos, mas muito boa e com representante em Copacabana. O seu peso é de 2.6 Kg e possui uma excelente aparência. Proteção contra sobre-carga de potência, voltagem e curto-circuito. Cabos encapados, e muitos, muitos terminais: 1 conector de 24 ou 20 pinos (basta puxar para separar os 4 pinos adicionais), 1 conector de 6 pinos PCI Express, 1 conector de 4 pinos P4, 2 conectores SATA, 9 conectores para periféricos e 2 conectores para floppy. Correntes máximas de 18A na linha de 12V, 30A na de 5V, 20A na de 3.3V, 0.5A na de -5V, 0.8A na de -12V e 2A na de 5Vsb, perfazendo um total de 430W combinados.
Cuidado: o modelo W0070 é idêntico, vem na mesma caixa, mas não possui FPC.

A grande quantidade de cabos faz com que seja necessário fixá-los em algum lugar no gabinete para não atrapalhar a circulação do ar. Além disso, possui dois ventiladores de 8cm controlados eletronicamente pela temperatura, um na traseira puxando o ar para dentro da fonte e outro na frente jogando o ar para fora do gabinete.


Fluxo de ar dentro do gabinete.

Este é um ponto fraco na minha opinião. A velocidade inicial é de apenas 53% da velocidade máxima. Assim, a velocidade varia de cerca de 1620 RPMS (a 48 graus ou 10% da carga) até 3070 RPMS (a 89 graus ou 100% da carga). Isto faz com que a fonte seja extremamente silenciosa, mas aumenta a temperatura do processador em até 5 graus. Infelizmente não há como mudar esse comportamento. Certamente adequado para um clima frio ou refrigerado artificialmente, mas inadequado para a temperatura de verão do Rio de Janeiro. Tenha sempre em mente que as chamadas fontes silenciosas vão aumentar um pouco a temperatura do seu processador.

Valores de temperatura e tensão obtidos numa temperatura ambiente de 31 graus (P4 2.8 HT - Northwood), com pouco processamento, rodando Fedora 4.

lm85b-i2c-0-2e
Adapter: SMBus I801 adapter at c800
V1.5: +1.46 V (min = +1.42 V, max = +1.58 V)
VCore: +1.50 V (min = +1.45 V, max = +1.60 V)
V3.3: +3.35 V (min = +3.13 V, max = +3.47 V)
V5: +5.13 V (min = +4.74 V, max = +5.26 V)
V12: +12.12 V (min = +11.38 V, max = +12.62 V)
CPU_Fan: 5341 RPM (min = 4000 RPM)
Front_Fan: 2648 RPM (min = 2000 RPM)
Back_Fan: 2572 RPM (min = 300 RPM)
CPU: +47°C (low = +10°C, high = +65°C)
Board: +41°C (low = +10°C, high = +50°C)
Remote: +41°C (low = +10°C, high = +50°C)
CPU_PWM: 255
Fan2_PWM: 255
Fan3_PWM: 255
vid: +1.525 V (VRM Version 9.1)

Nota: Com o gabinete aberto a temperatura cai para 43, 38 e 37 graus. A temperatura do ar dentro do gabinete fechado é de 36 graus.

A outra fonte de marca, que gosto muito, é a Zalman ZM460B-APS 460W com PFC ativo >= 98% a plena carga, reduzindo as frequências harmônicas danosas para abaixo dos níveis recomendados. O seu peso é de 2.1 Kg, possui uma excelente aparência, níveis muito baixos de ruído e 3 anos de garantia. Proteção contra sobre-carga de potência, voltagem, curto-circuito e temperatura. Cabos encapados, e muitos, muitos terminais: 1 conector de 24 ou 20 pinos, 2 conectores de 6 pinos PCI Express, 2 conectores de 4 pinos P4, 4 conectores SATA, 4 conectores para periféricos, 2 conectores para floppy e 1 adaptador com dois conectores para ventiladores. Correntes máximas de 16A na linha de 12V1, 18A na linha de 12V2, 30A na de 5V, 30A na de 3.3V, 0.5A na de -5V, 0.8A na de -12V e 2.5A na de 5Vsb, perfazendo um total de 460W combinados. Possui um único ventilador de 12cm no fundo, controlado eletronicamente pela temperatura.


Monitores de Vídeo

Toda a nossa interação com o computador se dá através dos monitores de vídeo. Atualmente, existem os monitores convencionais baseados em CRT, os monitores de cristal líquido e os painéis de plasma. Para um monitor convencional do tipo CRT, os parâmetros a serem observados na hora da compra são o "dot pitch" (distância entre os pixels), as freqüências de varredura, a resolução máxima e a planaridade da tela. Um bom monitor desse tipo é o Samsung SyncMaster 753DFX.

Monitores de plasma utilizam pequenas células de fósforo cheias de gás ionizado (uma mistura de neon e xenon), onde cada pixel é formado, então, por três células (vermelha, verde e azul). As células são prensadas entre duas superfícies de vidro com eletrodos horizontais e verticais. A descarga elétrica produzida pelos eletrodos faz com que o gás emita radiação ultra-violeta que sensibiliza o fósforo fazendo-o emitir luz visível. No entanto, o consumo de energia é elevado (cerca de 250 W para uma tela de 40 polegadas) e o brilho diminui gradativamente após as primeiras 2.000 horas de uso, para uma expectativa máxima de meia vida de cerca de 60.000 horas (mais ou menos equivalente a de um LCD). A maior tela de plasma já produzida (2006) possuía 103 polegadas. Aparelhos de TV de 40 a 60 polegadas já são bastante comuns.

Monitores de cristal líquido emitem muito menos radiação do que um CRT, são bem mais leves, ocupam menos espaço, porém possuem dimensões limitadas quando comparadas com as de um painel de plasma. A produção em massa só é viável para telas de no máximo 20 polegadas. Esta tecnologia exige que se observem outros dados, como o brilho, o contraste, o tempo de resposta, o número de cores e se possuem entrada digital (DVI) ou analógica apenas (VGA). Também permitem o emprego de subpixels na visualização de fontes de caracteres.

NÃO compre monitores Samsung. São famosos por apresentarem um defeito de "perda de sincronismo", e a assistência técnica não é confiável. Perdi recentemente quatro LCDs Samsung de 19 polegadas, que apresentaram exatamente o mesmo defeito de cintilamento na tela. Segundo o representante, na Rua Buenos Aires 90B, no Rio de Janeiro, as fontes deveriam ser substituídas (R$ 240,00 cada). Após um mês de espera, nos disseram que não havia fontes disponíveis no mercado, e que eu deveria retirar os aparelhos o mais rapidamente possível de lá. Também não honram a garantia de três anos nos monitores, visto que o número de defeitos tem sido absurdamente alto. A partir de março de 2005, exigem um certificado de garantia, e se você ainda tiver o seu, guarde-o, porque serve para qualquer monitor. Dê preferência, então, a companhias sérias, com Sony, Philips ou LG.

Às vezes, pode ser complicado fazer um monitor LCD conectado via porta VGA funcionar. A solução é conectá-lo via porta DVI ou usar um adaptador DVI-VGA. Se a placa de vídeo só possuir saída VGA, então a solução para o problema pode requerer a aplicação das atualizações do xorg. Para verificar as dimensões e resolução utilizadas, execute
xdpyinfo | grep resolution -A 1 -B 1 enquanto estiver rodando o X.

Dados Técnicos:

Samsung 753DFX

TV de Plasma de 63" AIC PP-63 com painel Samsung SDI V3 e teletexto DVI (252 páginas)

TV de Plasma de 42" PPM42M5SB com painel Samsung

Samsung 510N

Samsung 710N

Samsung 915N (um lixo)

LG L1720B

LG L1950B

LG L1950HQ (o segundo melhor monitor que já usei até hoje)

LG L196WTQ (o melhor monitor que já usei até hoje)


Gnome Desktop - LG L196WT

Impressoras

Como um usuário normal vai sempre querer mostrar o resultado de seu trabalho em papel, impressoras são, na realidade, uma necessidade real. Atualmente, as duas tecnologias disponíveis são as impressoras a jato de tinta ou a laser. As impressoras que utilizam jato de tinta são muito baratas, mas a tinta, que dura muito pouco, é muito cara. Na realidade é um presente de grego: vende-se a impressora barato para ganhar, e muito, nas tintas. Outro problema é que, se a impressora ficar um par de meses sem uso, a tinta pode ressecar dentro do cabeçote obrigando a compra de um jogo novo de tintas, e em alguns casos, de um novo cabeçote.

Impressoras laser são mais rápidas, porém mais caras, mas conseguem imprimir milhares de páginas com o mesmo toner, que pode ser recondicionado de 3 a 4 vezes sem a necessidade de troca do cilindro. Hoje em dia, existem impressoras laser que são acessíveis a um usuário doméstico, como a HP LaserJet 1020 ou 1015. Um inconveniente é que impressoras laser coloridas são extremamente caras e o preço da substituição do toner também é alto. Mesmo assim, a nossa recomendação são, definitivamente, as impressoras laser.


Modems

Com o advento da Internet banda larga (256 Kb/s para cima) já é possível ficar conectado 24/7 (24 horas por dia, 7 dias por semana). Para isso, é necessário adquirir um plano do tipo Velox ou Virtua. Seja qual for a sua escolha, será necessário obter um modem. As companhias telefônicas alugam modens, mas o preço do aluguel não compensa. O Velox usa tecnologia ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line), o que significa que a taxa de upload é diferente da taxa de download (em geral, metade da taxa de download). Já o Virtua usa Cable Modem, ou seja, pode oferecer a mesma taxa para download e upload. Isto é uma vantagem, mas a contrapartida é que o Virtua compartilha banda através de um sistema de velocidades dinâmicas, liberando banda sob demanda. O site para encontrar todas as informações sobre acesso rápido no Brasil é o ABUSAR.

Na escolha do modem, opte por um modelo que seja roteador (router), pois ele funciona tanto como um servidor DHCP (evitando que se tenha de instalar e rodar um programa chato para tratar o protocolo PPPoE/PPPoA), como um firewall por hardware. Assim, o trabalho de conexão fica reduzido ao mínimo e evita que se perca tempo aprendendo a configurar um firewall por software. Porém, todas as portas estarão bloqueadas, devendo ser desbloqueadas apenas aquelas que se fizerem necessárias, como a porta 22, para SSH e SCP, ou a 80, para HTTP. Para isso, use o serviço de Port Forwarding do modem. Para a utilização de portas altas em serviços de compartilhamento de arquivos, como bittorrent e mldonkey, estas também devem estar desbloqueadas. TCP 4662 e UDP 4666 para mldonkey e TCP 6881-6889 para bittorrent. Pode-se utilizar uma faixa equivalente, se estas portas estiverem bloqueadas pelo provedor. No velox, em geral, a 4662, 6881 e 6882 não são bloqueadas pela Telemar. Para testar quais portas estão abertas/fechadas/inacessíveis (bloqueadas) basta acessar, por exemplo, Shields Up!. Note-se que deve haver algum serviço "escutando" a porta, para esta aparecer como aberta.

Outro ponto, é se o protocolo ICMP está disponível ou não, o que faz com que um "ping" possa ser empregado para determinar se um endereço existe. Isso também costuma ser considerado um furo de segurança.


Redirecionamento de Portas.

É possível que o seu provedor de banda larga bloqueie as portas baixas por questões de segurança. Para o ssh, a melhor solução, por isso, é associá-lo a uma porta alta (acima de 1024) no modem e informar a nova porta de conexão no servidor: arquivo /etc/ssh/sshd_config. Depois, é só criar em cada cliente um arquivo ~/.ssh/config (com permissão 600):

Host um_alias_qualquer
HostName seu_ip_ou_dominio
Port xxxx

Para o caso de um modem não roteado (modo bridge), a conexão em Linux deve ser feita da seguinte maneira:

Para armazenar o seu IP, que pode mudar a cada reconexão, assine um serviço gratuito de redirecionamento de web, como o do NO-IP.com ou Dyndns. Assim, haverá um nome de domínio associado ao seu IP, e será fácil memorizá-lo. Deste modo, será possível conectar-se ao seu computador em casa, de qualquer lugar, via SSH, ou manter uma página web pessoal.

Um modelo de modem muito bom é o SpeedStream 4100/4200 (taxa máxima de 24Mb/s para download e 1.5Mb/s para upload), sucessor do famoso 5200 da Siemens fornecido pela Telemar. Esse modem pode ser facilmente adquirido no mercado livre, e também pode ser roteado. Para manter uma conexão ssh aberta sem timeout com esse modelo de modem, adicione ao arquivo /etc/ssh/ssh_config, na última linha, ServerAliveInterval 60

Para criar uma pequena rede doméstica em casa, basta adquirir um HUB ou Switch de 8 portas, como o da Encore, e conectar a saída do modem ADSL (roteador) na entrada (porta 1) do HUB. Depois é só ligar todos os seus computadores nas outras portas do HUB, que a conexão com a Internet será compartilhada por todos os computadores. Se o seu modem estiver no modo bridge, será necessário adquirir também um roteador ou, com uma segunda placa de rede instalada, transformar um computador em roteador.

Com a tecnologia sem fio disponível no momento, um roteador wireless é uma boa pedida, especialmente para aqueles que usam laptops. O modelo que eu uso é o Linksys WRT54G da Sisco. O alcance não é muito grande (mas suficente para um apartamento), e o preço não é alto. Pode atingir taxas de transferência de até 54Mb/s e possui funções de roteador, switch (4 portas) e ponto de acesso sem fio. Além disso, o firmware é muito bom, oferecendo várias opções de configuração. Basicamente, ele pode ser configurado como roteador (alguns modelos da Linksys oferecem as funções de modem ADSL, também) ou como ponto de acesso.

Nunca devemos esquecer da segurança. Tecnologia wireless permite a conexão de qualquer um, e a não ser que se utilizem mecanismos de proteção, o mínimo que pode acontecer é roubarem a sua banda. Assim, o roteador deve possuir uma senha de administrador e utilizar criptografia para os dados (WPA/WPA2). Esse modelo da Linksys também permite restringir o acesso para placas de rede cadastradas através do endereço MAC. No caso da utilização doméstica, esta funcionalidade deve ser utilizada.

Se já existir um roteador na sua rede, o mais indicado é configurar o Linksys como ponto de acesso. Senão, haverá duas redes independentes, e vai ser difícil o acesso de uma a partir da outra. Para tando, atribua ao Linksys um IP fixo, desative o seu DHCP e coloque-o no modo Router (o default é o modo Gateway). É claro que neste caso, o cabo de rede deve ser conectado não a entrada da Internet, mas sim à primeira das quatro portas do switch com fio do roteador.


Basic Setup

Advanced Routing


Mouses

Um mouse parece, hoje em dia, uma coisa boba. Mas na realidade, não existe nada mais irritante do que um mouse ruim. Dê sempre preferência a mouses óticos e se possível USB, pois podem ser reconectados com o computador ligado. Mouses óticos possuem uma câmera minúscula, que fotografa a superfície da mesa, e um processador que é empregado para traduzir o que a câmera vê em movimentos do cursor. Isso impede que a precisão se deteriore com o tempo ou que se tenha de abrir o mouse para limpá-lo. Boas marcas de mouse são: Logitech, Genius e Microsoft.

Como a minha configuração de mouse no linux é um pouco não convencional, talvez valha a pena falar um pouco. Eu sempre gostei de mouses caros, com muitos botões, o que significa mouses com logo "Microsoft". Infelizmente, mouses Microsoft sempre apresentam problemas após um pouco mais de um ano de uso. O problema mais desagradável é quando um click único vira um click duplo, que é um defeito comum em mouses Microsoft. Embora eles tenham garantia de cinco anos, demora cerca de seis meses para se ter o mouse de volta. Um outro problema, é quando o cabo se parte perto do mouse ou da porta USB. De qualquer modo, façamos de conta que tudo é uma maravilha. Como usar todos os recursos desses mouses sofisticados? Em linux, o jeito mais fácil é usando o imwheel. Esse utilitário mapeia os cliques do mouse em comandos para programas. A única coisa que se tem de fazer é escrever um arquivo de configuração ~/.imwheelrc e remapear os botões do mouse, bastando colocar os comandos abaixo na iniciação do gnome ou kde:

xmodmap -e "pointer = 1 2 3 6 7 4 5"
/usr/X11/bin/imwheel -k -f -b "67"

O suporte para mouse no XFree86 ou xorg é feito no arquivo /etc/X11/XF86Config-4 ou /etc/X11/xorg.conf, respectivamente. Em geral, o que se tem é:

Section "InputDevice"
Identifier "Mouse1"
Driver "mouse"
Option "Protocol" "ExplorerPS/2"
Option "Device" "/dev/input/mice"
Option "ZAxisMapping" "6 7"
Option "Buttons" "7"
# Para mouses com rodinhas apenas use o protocolo abaixo.
# Option "Protocol" "IMPS/2"
# Option "ZAxisMapping" "4 5"
# Option "Buttons" "5"
Option "Emulate3Buttons" "no"
EndSection

Isto é suficiente para mouses Microsoft Intellimouse Explorer, com cinco botões e rodinhas (um total de sete botões). Eu gosto de usar os botões laterais como back e forward nos navegadores. O meu mouse mais recente, no entanto, é sem fio e possui, na realidade, nove botões: os três botões convencionais, mais dois laterais e a rodinha, além de ir para frente e para trás, move-se lateralmente. Para acessar os movimentos laterais da rodinha para, por exemplo, rolar uma página lateralmente, é necessário um novo driver, conhecido como evdev. Esse driver já é fornecido para Fedora 5, mas para Fedora 4 pode-se usar um rpm criado por mim. A parte mais complicada é descobrir o número do evento do mouse. Para isso, execute more /proc/bus/input/devices e olhe o número do evento apropriado. No meu caso:

I: Bus=0003 Vendor=045e Product=008c Version=0056
N: Name="Microsoft Microsoft Wireless Optical Mouse® 1.0A"
P: Phys=usb-0000:00:1d.2-1/input0
S: Sysfs=/class/input/input3
H: Handlers=mouse0 event3 B: EV=7
B: KEY=1f0000 0 0 0 0 0 0 0 0
B: REL=1c3

O remapeamento dos botões e a seção do mouse no xorg.conf ficam então:

xmodmap -e "pointer = 1 3 2 4 5 8 9 6 7 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32"
/usr/X11/bin/imwheel -k -f -b "6789"

Section "InputDevice"
Identifier "Mouse0"
Driver "evdev"
Option "Device" "/dev/input/event3"
# Option "Dev Name" "Microsoft Microsoft Wireless Optical Mouse® 1.0A"
# Option "Dev Phys" "usb-0000:00:1d.2-1/input0"
Option "ZAxisMapping" "6 7"
Option "Buttons" "9"
Option "Emulate3Buttons" "no"
EndSection

O inconveniente de se usar o número do evento diretamente é que ele pode mudar, se um novo dispositivo USB for adicionado ou removido. Assim, pode-se criar um dispositivo udev para ele, através de um arquivo /etc/udev/rules.d/20-mouse.rules com o resultado do comando:

udevinfo -a -p `udevinfo -q path -n /dev/input/event3` |grep modalias |grep usb

Este arquivo de conter a seguinte linha, trocando-se o identificador do dispositivo USB, pelo gerado pelo comando acima:

KERNEL=="event*", SYSFS{modalias}=="usb:v045Ep008Cd0057dc00dsc00dp00ic03isc01ip02", SYMLINK+="input/evdevmouse"

Depois, é só usar, no xorg.conf, o link simbólico criado: "/dev/input/evdevmouse".

Mouses do tipo serial também podem ser facilmente configurados, inclusive os touchpad de certos tipos de teclado:

Section "InputDevice"
Identifier "Serial Mouse"
Driver "mouse"
Option "Protocol" "Microsoft"
Option "Device" "/dev/ttyS0"
Option "Emulate3Buttons" "on"
# Option "ZAxisMapping" "4 5"
Option "Buttons" "3"
EndSection

Note-se que uma configuração incorreta de mouse pode fazer com que o X não consiga iniciar. Mas neste caso, basta chavear para modo texto (crtl-alt-F1), alterar o arquivo de configuração e reiniciar o X. Quando se está testando uma nova configuração, a reiniciação do X pode ser feita pressionando-se (crtl-alt-backspace). Para testar os eventos gerados pelo mouse, e os códigos dos botões pressionados, pode-se usar o xev. A minha configuração do xorg.conf usa muito mais opções do que a maioria das pessoas precisa, pois ativa até TV-out, mas pode servir como referência.

Não esqueça de configurar o mouse para o modo texto também, alterando o arquivo /etc/sysconfig/mouse:

FULLNAME="Generic - Wheel Mouse (USB)"
MOUSETYPE="imps2"
XEMU3="no"
XMOUSETYPE="ExplorerPS/2"
DEVICE=/dev/input/mice


Vírus

O maior problema atualmente para os usuários de computadores são os vírus. Para evitá-los, basta seguir as seguintes instruções simples:

Regras:


Segurança

Existem duas formas de se invadir um sistema: por meio da obtenção da senha de algum usuário ou por furos em algum serviço que esteja rodando na máquina. No primeiro caso, a recomendação óbvia é usar senhas de difícil "adivinhação" e não fornecê-la a ninguém. No segundo caso, a principal recomendação é manter sempre o sistema atualizado com as últimas atualizações de segurança. Na realidade, existe uma terceira forma que é quando se instala um programa modificado que passa informações para o mundo exterior. A analogia seriam as formas de se entrar furtivamente numa casa: conseguindo uma cópia da chave, entrando por alguma janela esquecida aberta ou quando alguém de dentro abre a porta.

Existem ferramentas que testam se o sistema foi invadido (presença de "root kits"), verificam as versões dos serviços que estão rodando na máquina (ou conjunto de máquinas de uma rede) e apontam as suas deficiências. As principais ferramentas são: chkrootkit, nessus e rkhunter. Elas não são infalíveis, mas resolvem a maioria dos problemas causados por "hackers amadores".

Um bom firewall é a forma mais eficaz de impedir a invasão de um sistema, porque ele bloqueia as portas que podem criar vulnerabilidades no sistema. Por isso, pense muito bem antes de desbloquear uma porta ou usar programas "peer to peer" para compartilhamento de arquivos (ou no popular, para piratear software).


Uma Praga Chamada UTF-8

Aqueles que são obrigados a escrever numa língua com acentos, irão amargar, no fogo do inferno, por toda a eternidade, por causa do tipo de teclado e do char set. Será mesmo?

Para o teclado, basta colocar no /etc/X11/xorg.conf, na seção apropriada:

Section "InputDevice":
....
Option "XkbModel" "abnt2"
Option "XkbLayout" "br"

Quanto ao char set, o problema é que os caracteres acentuados não podem ser representados em ASCII, uma codificação que só possui 128 caracteres diferentes. Assim, surgiram outros códigos, como o ISO-8859-1 (Latin1), que é o código usado por países de língua Latina (normalmente). Esses códigos, em geral, usam o oitavo bit que sobra do ASCII (128-255) para guardar os caracteres acentuados. É óbvio que isso criou uma torre de Babel, pois cada um pode inventar seu próprio código. Além disso, línguas asiáticas possuem uma infinidade de caracteres diferentes... Por isso, mais recentemente, foi criada uma nova representação chamada UNICODE, que não impõem limite na quantidade de caracteres que podem ser representados. Unicode pode ser codificado em 2 bytes, ou UTF-16 (usado no Windows XP), ou num novo padrão chamado UTF-8, que utiliza de dois a seis bytes para representar um caracter não ASCII. UTF-8 serve então para qualquer conjunto de caracteres de qualquer língua. O problema é como ficam os arquivos produzidos em ISO-88599-1, por exemplo?

O sistema operacional converte para o código especificado pelo locale corrente. Em Linux, é usado um programa chamado iconv. O script abaixo faz esta conversão:

#!/bin/sh
# Converts from utf8 to latin1 (ISO-8859-1)
iconv -f utf8 -t iso8859-1 -o "$1".latin1 "$1"

Olhando para o conteúdo do arquivo /etc/sysconfig/i18n de um Fedora 6, há:

Desta forma, o default será UTF-8, na língua inglesa. Para usar português UTF-8, basta colocar pt_BR.UTF-8:pt_BR:pt. Simples, não? Mais ou menos. Infelizmente, vários programas (e.g., xmms) ainda não fazem a conversão automática e uma partição VFAT deve ser montada com a indicação do charset no /etc/fstab:

/dev/sdxx /mnt/shared vfat user,umask=0,iocharset=utf8,rw 0 0

Para conviver com programas problemáticos, existem duas alternativas. A primeira é mudar o default para ISO-8859-1. Use en_US ou pt_BR no arquivo i18n:

LANG="en_US"
SUPPORTED="en_US.iso885915:en_US:en"

Se preferir, coloque setenv LANG en_US no seu .cshrc. Daí para frente, tudo será ISO-8859-1 no seu sistema. Uma segunda possibilidade, é usar um script wrapper para criar e exportar uma variável de ambiente com o locale correto:

#!/bin/sh
# Exports LANG to force ISO-8859-1 char code
# for your application.
export LANG=en_US
chame o seu programa aqui.

A maneira mais fácil de verificar o char set de um arquivo é abrindo-o no Mozilla Firefox e olhando, na aba View -> Character Enconding, a indicação do char set. Se os caracteres estiverem errados, altere o modo de visualização até eles serem exibidos corretamente: Western (ISO-8859-1) e Unicode (UTF-8).

Moral da estória: não basta ter uma string se não se souber como ela foi codificada!!!


Montar ou Comprar de Marca?

A pergunta que sempre me fazem é se é melhor montar o seu próprio computador ou comprar um de marca. A resposta é: depende da quantidade, do conhecimento e do tempo que se quer gastar. Os meus computadores pessoais vão ser sempre montados por mim, porque eu sei exatamente o que há lá dentro e o que posso esperar do sistema. Sistemas de marca vêm com o que o mercado oferecer de mais barato, por exemplo fontes fracas, que não suportam expansão do sistema. Outro problema é que costuma ser complicado inserir novos componentes, por causa de peças de encaixe especiais, para fixação no gabinete, só vendidos obviamente pela montadora.

Sempre gosto de contar os casos de dois laptops Dell Inspiron comprados nos USA. O primeiro é um Inspiron 7500 (comprado em 2000 por 4500 dólares), que nunca teve um driver de vídeo XP decente (veio com Windows 98). A placa de vídeo era uma ATI RAGE Mobility (nome sugestivo), um verdadeiro inferno astral em matéria de configuração. A Dell insiste em placas ATI, que sempre possuíram drivers muito ruins. Após cerca de 1 ano, a Dell não fornece mais drivers para o seu equipamento. Você que "compre outro se quiser e movimente a economia mundial" (é o que eles dizem). Outra bobagem que eles gostam de repetir é que "o seu hardware foi projetado para funcionar apenas com o sistema operacional fornecido". Assim, o meu laptop sempre voou quando rodava Windows XP, especialmente em apresentações Powerpoint. Tive de usar o driver de outro fabricante, porque o que a Dell forneceu no seu site, muito tempo depois, era pior ainda. Em linux rodava perfeitamente, felizmente. O suporte técnico da Dell nos EUA é péssimo e os atendentes são tecnicamente muito fracos. Finalmente, quando fui fechar a tampa da última vez, as dobradiças se partiram, sem que eu tenha aplicado nenhuma força desproporcional.

O segundo caso é um Inspiron 3700 (bastante similar ao anterior), comprado numa promoção da Dell (na época, 2001, custou 2500 dólares). Após o primeiro ano de uso o teclado começou a falhar. Pesquisando nas listas da própria Dell constatei que era um erro de projeto desse modelo. A maioria sempre pifava o teclado por causa do aquecimento excessivo e a solução era a troca da placa mãe. Porém, a Dell Brasil não garantia o Inspiron, que é o topo de linha nos USA. Ou seja, ao invés da Dell recolher todos os equipamentos com problema, desovou no mercado as sobras como "promoção". Hoje esse laptop está com problema de vídeo e teclado, precisando de monitor e teclado externos.

Há também um caso de um desktop, também Dell de 2002, que após a inserção de um novo disco e mais memória se recusava a reiniciar após o uso do Windows. Provavelmente a fonte (200W) não suportou a carga extra. Também não havia um local apropriado para fixar o novo HD e o único tipo de memória que podia ser usado era extremamente caro.

Por fim, o site da Dell diz que eles se reservam o direito de não honrar o que você especificou e encomendou. Recentemente, um conhecido meu percebeu que quanto mais ele incrementava o pedido mais o preço baixava. Assim, ele encomendou dois computadores topo de linha por um preço muito pequeno. A Dell se recusou a honrar o compromisso e ele teve de entrar no juizado de pequenas causas. Obviamente ele ganhou a causa.

Também sempre me perguntam que marca de laptop comprar. Eu estou meio cansado de laptop, mas recomendaria um Toshiba, por causa da qualidade do hardware e do suporte ser muito mais abrangente. É muito fácil achar drivers para Toshiba. Como regra, sempre desconfie de empresas que oferecem preços bons apenas em promoções e não especificam exatamente o que estão vendendo. Essas empresas são meras montadoras, que negociam com os fornecedores em grandes quantidades e nunca dizem qual a marca real dos componentes que você está comprando. Esse tipo de equipamento é adequado apenas quando não se pretenda modificar, no futuro, absolutamente nada na configuração adquirida. Leia sempre as listas sobre a avaliação do produto, feita pelos consumidores, antes de comprar. Nos USA existe uma revista, chamada Consumer Reports, só para fornecer esse serviço de avaliação.


Laptops

Laptops possuem algumas características únicas, como modo suspenso e de hibernação. O objetivo é economizar bateria, ou salvar o estado corrente quando esta perder quase toda a sua carga, respectivamente. O modo suspenso não desliga o processador, apenas os discos e a tela, bem como diminui o processamento a um mínimo necessário. Rapidamente, retorna a atividade normal ao se pressionar o botão de ligar. A hibernação é mais complicada. Todo o conteúdo da memória é copiado para o disco e o computador desliga. Para fazer isso em linux, era necessário usar kernels com patches do tipo suspend2 (kernel-tuxonice), que podiam ser baixados do ATrpms.

Note-se que a própria partição de swap é usada como área do disco para hibernação. Obviamente, esta partição deve ser maior do que a quantidade de memória do computador. No passado, era preciso adicionar ao arquivo /etc/grub.conf (ao final da linha kernel ...), resume2=swap:/dev/sdax, onde sdax era a partição de swap. Se houvesse mais de uma partição de swap, bastava indicar qualquer uma delas. Porém, em kernels recentes (maiores do que 2.6.23), a opção resume2 não é mais necessária e a hibernação deve funcionar automaticamente.

Como desktops não são ursos polares, não creio que faça muito sentido hiberná-los, embora seja possível. Os modos suspenso ou de hibernação podem ser associados ao ato (evento) de fechar a tampa do laptop, e para funcionarem, os daemons apmd ou acpid devem estar rodando. Além disso, para acessar de modo transparente redes sem fio (wirelless), é aconselhável usar o NetworkManager. Lembre-se de colocar a mesma senha no keyring, que for usada para logar. Tornará a sua vida mais fácil. Para poder trocar a senha do keyring, basta apagar os arquivos em: ~/.gnome2/keyrings, e logar de novo.

Cerca de 33% dos problemas com laptops correspondem a dobradiças (hinges) quebradas. Depois, os problemas mais comuns são backlights queimadas e disco. O ideal é trocar-se o laptop de três em três anos, enquanto ele ainda tem algum valor de mercado e não virou sucata.


CVS

Para armazenar aquela configuração que se levou uma semana para aprender e que daqui há um mês não vai mais se lembrar, ou o programa que você está fazendo em grupo com os amigos, o ideal é usar um sistema de controle de versões. O CVS é capaz de guardar o histórico das modificações feitas em um arquivo, de maneira compacta, porque só guarda a diferença entre as versões. Desta maneira, pode-se recuperar qualquer versão anterior, consultar o histórico de modificações, ou saber quem alterou o que.

Para criar um repositório no /home de um host, crie um um diretório /home/cvsroot e depois faça (como root):

cvs -d /home/cvsroot init

Troque então a propriedade deste diretório para cvs e um grupo comum aos seus usuários. Talvez seja necessário criar o usuário cvs primeiro, com home /home/cvsroot e login /sbin/nologin.

chown cvs.mygroup /home/cvsroot

Uma vez criado, para se adicionar um diretório qualquer e os seus subdiretórios no repositório (só precisa fazer isso uma vez), faça (como root):

cd ~/mydir
cvs -d /home/cvsroot import -m "Título" mydir vendor_tag release_tag
chown -R cvs.mygroup /home/cvsroot/mydir
chmod 775 /home/cvsroot/mydir

O vendor_tag pode ser qualquer coisa, por exemplo, o seu nome ou da sua instituição e o release-tag a versão, por exemplo, v1 ou inicial. Para usar o seu novo repositório, crie primeiro duas variáveis de ambiente no seu .cshrc, para indicar o seu editor preferido, a forma de conexão e um alias:

setenv CVSEDITOR vim
setenv CVS_RSH ssh
alias mycvs 'cvs -d :ext:user@hostname:/home/cvsroot \!*'

Para extrair a sua versão de trabalho, postar as suas modificações ou atualizar a sua versão, vá para o diretório que deve conter mydir e faça, respectivamente:

mycvs co mydir
cd ~/mydir
mycvs commit
mycvs update

Note-se que é necessário ter acesso ao host via ssh. Daí em diante, é possível ter sempre a última versão atualizada do seu sistema, de qualquer lugar (em casa, no trabalho, ou na escola), sem a necessidade de carregar CDs, pendrives ou disquetes. É claro que existe CVS para Windows também. Além disso, eu tenho o arquivo ~/.cvsrc com as seguintes configurações:

cvs -z4 -q
diff -u3 -p
update -dP
checkout -P


Limpeza

Computadores são atratores de sujeira. Teclados e mouses são manuzeados por várias pessoas que não necessariamente tem o hábito de lavar as mãos. Logo, .... Além disso, os ventiladores transformam o seu computador num verdadeiro aspirador de pó. A limpeza do mouse é relativamente simples e requer apenas um pano levemente úmido (não deixe escorrer líquido dentro do mouse). O teclado é mais trabalhoso. Migalhas de comida e poeira entram por entre as teclas e é muito difícil limpá-lo sem desmontá-lo completamente.

De seis em seis meses é aconselhável desligar o computador, remover todos os cabos e limpar o seu interior. É necessário remover a frente do gabinete, em geral presa por três garras ou parafusos de cada lado. O ar entra por ali e é inacreditável o tufo de pó compactado que lá se acumula. O resultado é que a temperatura de funcionamento dos discos pode cair em até 8 graus se isso for feito.

O cooler do processador também acumula muito pó, o que dificulta a dissipação de calor. Pode-se tentar limpar, com cuidado, com um palito de dentes, ou desmontando completamente o cooler. Existem aspiradores de pó portáteis feitos para a limpeza de computadores. Costumam ajudar bastante, evitando que a poeira se espalhe durante a limpeza.


Agradecimentos


Sistema que eu uso atualmente.

A bancada da figura acima foi feita pelo Prof. Ronaldo Marinho Persiano que, depois de aposentar-se, tornou-se um grande marceneiro. No entanto, ele já abandonou a marcenaria profissional e hoje vive tranquilamente em uma cidade pequena do interior.


Observações Finais

O LCG não possui ligação ou recebeu qualquer equipamento de nenhum fabricante citado neste texto. Nosso único objetivo é orientar os consumidores na montagem de equipamentos de informática utilizando material encontrado no Brasil. Existem, é claro, várias outras opções que podem ser empregadas, mas que nunca foram testadas por nós. Temos muito pouca experiência com processadores da AMD, por exemplo, mas que apresentam uma série de vantagens sobre processadores Intel. Porém esquentavam muito... Atualmente, esse quadro mudou, e a linha Intel pode esquentar tanto quanto, e em alguns casos até mais, que um AMD.

Esse texto é apenas um guia para auxiliar na solução de problemas atuais. Um computador não deve ser aberto em hipótese alguma por uma pessoa desqualificada ou por um curioso, pois é muito fácil "torrar" algum componente.

Para não esquecer jamais: NÃO economize em memória e fonte. É melhor NÃO usar estabilizador do que usar um de baixa qualidade. O que realmente protege o seu PC em qualquer situação é um bom no-break. Se possível tenha sempre um fio terra (lembre que neutro não é terra).

Evite sempre que possível o lado negro da "Força". Use Linux.

/Paulo Roma.